Artigo sobre a relação entre comunicação (relações públicas) e tecnologias

COMUNICAÇÃO E ESTE NOVO MILÊNIO (tópicos para uma discussão ou um manifesto passado)

Artigo sobre a relação entre assessorias /comunicação e tecnologias

Cláudio Manoel Duarte*

1.A atividade de assessoria de ganhou força ainda no período da ditadura militar brasileira, principalmente nos anos 70. A comunicação era mais controlada politicamente e as notícias tinham versões unilaterais. Tratada como mercadoria ideológica, a informação passou a ser editada para satisfazer interesses de setores dominantes do poder político e econômico. Para controlar os conteúdos dessas informações, as instituições oficiais, principalmente, utilizavam dos serviços dos profissionais jornalistas, que divulgavam apenas a versão que interessava, através dos press-releases.

2.Como o passar dos anos, no entanto, a assessoria de foi se tornando uma necessidade empresarial. Empresas privadas e entidades, incluindo instituições oficiais, sentem a necessidade de interferir de uma forma mais organizada junto aos meios de comunicação para melhor difundir seu nome, sua versão dos fatos e divulgar seus eventos. Esse, já no início dos anos 80, era um mercado em crescimento no campo da comunicação. Ao tempo em que as empresas ainda não entendiam a importância do relações públicas e novas empresas de jornalismo surgiam lentamente (assim como hoje ainda) a atividade do assessor encontrava espaços no mercado de trabalho.

3.Apenas em 1986, a Federação Nacional de Jornalistas Profissionais lança conceitos básicos, através de um manual, sobre o que seria a atividade de Assessoria , fruto já de uma discussão no congresso de jornalistas realizado em 1984. A Fenaj, no referido Manual, definia a assessoria como o serviço “de administração das informações jornalísticas e do seu fluxo das fontes para veículos de comunicação e vice-versa”.

4.Mas esse conceito já não condiz com a realidade do mercado de trabalho e suas novas necessidades. A realidade exige não mais uma assessoria de imprensa ; mas uma assessoria de comunicação, o que deixa claro o caráter da comunicação integrada. Exige uma assessoria que não se volte apenas para as mídias jornalísticas, mas entre no campo da publicidade e propaganda, das relações públicas e até em outras mídias eletrônicas, como redes de conectividade, cd-roms, totens interativos etc.

5.Nesse sentido podemos pensar a assessoria de comunicação com um conceito mais amplo, como o serviço de administração, produção e difusão de informações e do seu fluxo com as fontes e públicos através dos vários suportes comunicação. Inclui-se aqui “públicos” pois se entende que a assessoria de comunicação chegou a um nível de independência das mídias tradicionais de jornalismo, lhe dando autonomia de gerar seus próprios suportes, como out-doors, sites na internet, jornais, house-organs, revistas, panfletos, folders, cartazes etc, sem passar pelo crivo dos editores nas redação e fazendo um contato direto com seu público.

6. Por trás desse conceito menos dependente do mercado jornalístico está o novo profissional. Aquele que acompanha os avanços das tecnologias contemporâneas e sua repercussão no perfil do comunicador, e seu impacto no mercado do trabalho.
Se formos buscar um perfil, digamos, histórico, do comunicador, ele é definido pela tecnologia da época. Desde a imprensa de Gutenberg até o surgimento da área multimídia da internet, a Web, o novo comunicador, aquele atento às mudanças nos processos comunicacionais, sempre esteve caminhando paralelo a esses avanços. Em tempo de internet, em tempo de fotografias digitais, o trem da máquina de escrever manual com fitas que sujam os dedos e borra o papel é muito lento. A máquina de escrever não se conecta com o digital e propõe uma produção lenta, desacelerada.
Hoje, em plena Era da Informação, as tecnologias contemporâneas e principalmente a informática têm sido os principais suportes para nosso cotidiano. Somos ciborgues a toda hora. A relação homem-máquina está presente desde quando usamos um cartão magnético num caixa eletrônico para fazer compras de alimentos.

7. Ora, não seria a comunicação, que sempre dependeu de instrumentais tecnológicos, que estaria fazendo um caminho em direção inversa a esses avanços, nem igualmente os profissionais. Pelo contrário, são as formas de expressão e seus produtores um dos mais agraciados com as novidades. Somos, agora, também um resultado dessas novidades.

8. No caso particular das assessorias de comunicação, o profissional, seja ele relações públicas, jornalista ou publicitário, tem que estar atento e se desafiar, cotidianamente, diante dos avanços das tecnologias de ponta que estão diretamente relacionadas com sua área de trabalho. Esses desafios incluem desde a busca de uma linguagem textual inovadora (imagem, escrita e som) que esteja conectada com a cultura contemporânea até o domínio técnico dos suportes, como os softs, equipamentos etc. Está findando o tempo do profissional da comunicação precisa de um técnico especialista para fazer, para colocar em prática suas idéias. O novo mercado exige uma qualificação multimídia do comunicador, aquele que pensa e produz, ele mesmo.

9. Essa característica – pensar/fazer – é uma influência direta da entrada da micro informática em nossas vidas. A informática centraliza os processos de produção para o profissional competente – aquele que gera resultados positivos. A micro informática tem dado poderes a quem não os tinha antes e tem associado o pensamento à ação. Hoje, com a micro informática, por exemplo, um editor de jornal impresso imagina a estrutura de sua página, executa e manda para a impressora, quando antes ele dependia do layoutista, do diagramador, do pastapista e do arte-finalista para colocar em prática seu conceito de edição.

10. O próprio press-kit (material de apoio para divulgar eventos, que inclui crachás, press-releases, fotos, gráficos, logomarcas, fichas técnicas e toda uma infinidade de elementos) é uma manifestação da multiplicidade do profissional de comunicação. Pois é esse processo centralizador da micro informática aliado às diversas formas de comunicação que também estarão presente nas assessorias de comunicação – hoje concretamente um dos mercado que mais cresce, se compararmos com as mídias tradicionais. Mas é preciso que o profissional da assessoria dê respostas concretas e de qualidade às exigências do mercado da Era da Informação.

11. Destacamos aqui os avanços das assessorias de comunicação ligadas à produção cultural, à atividade artística, que, além de press-kits, tem procurado incluir a internet como uma de suas principais formas de divulgação.

12. A internet é capaz de disponibilizar textos, som e imagem fixa e em movimento, além de um contato direto, através de e-mail, com o promotor do evento – tudo isso a baixíssimo custo, e com divulgação planetária, e não apenas local.
A maior rede de computadores do planeta já é a segunda maior fonte de informação jornalística nos Estados Unidos. No Brasil, um dos principais mercados de micro informática do mundo, são inúmeros os provedores de internet e novas pessoas conectadas que surgem.

13. Estamos, portanto, nos encontrando com um conceito que vai se tornar cada vez mais claro, mais concreto: a virtualização da comunicação. Não só pela presença de jornais, rádios e tv em versão on line, mas pelo crescimento do ciberespaço enquanto área de difusão da informação, enquanto espaço de uma nova socialidade, enquanto espaço que aglutina públicos e comunidades, e portanto, seus interesses e idéias.

14. Ademais, a internet recupera verdadeiramente uma das questões mais reivindicadas pela comunicação: o feedback, a interatividade. A telemática, como afirma Marcos Palácios, está, pela primeira vez, “fazendo a junção entre comunicação massiva e interatividade. Há até pouco tempo atrás, a dissociação entre massivo e interativo era clara, no âmbito da comunicação. Uma coisa ou outra. O telefone é interativo, mas não massivo, na medida em que é apenas uma extensão tecnológica de um diálogo entre dois interlocutores; a televisão, o rádio, as mídias impressas, etc, são massivas, porém não interativas. A comunicação telemática é interativa e massiva”.

15. Além disso, o mercado on line – para citar uma área nitidamente comercial – têm crescido e junto com ele a necessidade de instrumentais de comunicação. O profissional da informação não poderá ficar ausente desta mídia em expansão.
O ciberespaço – a máxima das conexões das tecnologias digitais – conecta e disponibiliza as inúmeras possibilidades da criação da informação, memória e comunicação. Uma área universal para a formação de um enorme banco de dados e para a difusão de idéias.

16. Citando Pierre Lévy, a perspectiva de digitalização geral das informações “provavelmente tornará o ciberespaço o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade (…)”. E o profissional de comunicação está mais uma vez diante de um desafio, e mais uma vez, revendo seu perfil a partir das tecnologias contemporâneas diretamente relacionadas à produção da informação.

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