O PREÇO DA LEITURA OU O LIVRO COMO MERCADORIA CULTURAL

O PREÇO DA LEITURA OU O LIVRO COMO MERCADORIA CULTURAL

CASSIANO ELEK MACHADO -Agência Folha (8.12.2001)

Tem produto fresquinho no mercado das letras. Tem 204 páginas, custa R$ 29 e é de autoria de Marisa Lajolo e Regina Zilberman.

E por que esses detalhes antes da apresentação do conteúdo do livro em questão? Porque são exatamente esses os elementos que ele traz para as prateleiras.

O Preço da Leitura

O Preço da Leitura, que a dupla de pesquisadoras acaba de lançar, vai por um caminho muito pouco trilhado nos estudos literários, a idéia de que o autor de um livro é também o produtor de uma mercadoria.

“Literatura é mercadoria e, como mercadoria, tem um preço e está sujeita a leis de mercado, como vários outros produtos”, explica Marisa Lajolo, professora da Unicamp e “produtora” de uma dezena de livros.
Para esmiuçar a dimensão econômica da criação literária, as autoras percorrem toda a trajetória da escrita, desde os tempos do pergaminho até a Internet.

Nessa viagem, as principais escalas são feitas em questões como os diferentes modos como o autor foi remunerado pelo que criou, com destaque para a revolução representada pela criação de mecanismos legais para demarcar a propriedade literária.

Direito autoral

O chamado direito autoral só nasce em 1710, quando o parlamento inglês promulga o documento conhecido como “Estatuto de Ana”, que define que: “…O autor de qualquer livro ou livros já impressos (…) terá o direito exclusivo e liberdade de imprimi-los pelo prazo de 21 anos”.
“A Inglaterra foi a pioneira na questão dos direitos autorais. Portugal, e por consequência também o Brasil, foi dos mais atrasados”, diz Lajolo.

Se O Preço da Leitura parte das questões envolvendo autor, propriedade e valor em âmbito mundial, o Brasil é sempre o foco final da pesquisa. As autoras trabalham detalhadamente, por exemplo, a relação entre brasileiros e portugueses nas demarcações do território literário e editorial, enfatizando o momento (tardio, diga-se) em que Portugal autoriza a impressão na colônia, com a vinda da família real ao Brasil, em 1808.

Pesquisa

“Uma das nossas grandes descobertas foi a do caráter conflitivo das relações culturais entre Brasil e Portugal no século 19. Encontramos uma série de evidências de que o Brasil era o grande mercado do autor português”, conta Lajolo. “Isso permite que se possa reequacionar as discussões de influências entre a literatura produzida no Brasil e em Portugal”.

Entre os achados do livro também está a pesquisa sobre a formação de associações de escritores no Brasil para conseguir implementar leis que os favorecessem. “Poucos sabem, mas a criação da Academia Brasileira de Letras, hoje tida como conservadora e honorífica, é ligada a esse ideal”.

SERVIÇO
O PREÇO DA LEITURA.
De Marisa Lajolo e Regina Zilberman – São Paulo – Editora: Ática – 204 p

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: