Os clássicos: Gilles Deleuze e Michel Foucault.

    Os clássicos da Profª Ivete Keil são Gilles Deleuze e Michel Foucault.  

    Ivete Keil é professora do PPG em Ciências Sociais Aplicadas, do Centro de Ciências Humanas, Pós-Doutora pela  École des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS, Paris, França. Doutora em Antropologia pela Université de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, Paris, França e Mestre em Antropologia Social pela UFRGS.

    “Não é possível falar de uma só influência. Vários autores entram em conexão de fluxos rejuntando arte, vida, poesia e realidade. Artaud, Kafka, Nietzsche, Deleuze, Foucault, Marx, Negri, Dostoievski, Céline, Lawrence e, muitos, muitos outros. Entretanto, vou escolher dois deles: Gilles Deleuze e Michel Foucault.

    Gilles Deleuze e Michel Foucault

    Escolhi justamente Deleuze e Foucault pela importância das suas obras para a leitura do nosso tempo, mas também, porque eles foram muitíssimo comprometidos com a sociedade, fizeram muitas manifestações e protestos contra a dominação e a favor das minorias. Foram verdadeiramente militantes. Para se ter uma idéia, lembro o GIP (Grupo de informações sobre a prisão no qual eles fizeram um trabalho intenso, denunciando as más condições das prisões francesas e, ao mesmo tempo, possibilitaram a organização dos presos). Além de uma obra extremamente inovadora que mexeu profundamente em teorias e conceitos, revolucionando tudo, revolucionando verdades estabelecidas, eles foram para o campo de batalha. Adotaram a ética como estética da existência profundamente comprometida.

    Obras

    L’ anti-oedipus é a obra que, entre tantas, poderia citar de Deleuze. Ela redimensiona o conceito de inconsciente, negando a idéia de teatro utilizada até então para projetá-lo como uma usina, um lugar, um agente de produção. O inconsciente deixa de ser figurativo e estrutural para aparecer como máquina. Esse trabalho propõe uma grande guinada. O mito edipiano, tão caro às sociedades ocidentais, é colocado como nosso grande erro. O argumento utilizado é bastante convincente, pois ele bloqueia as forças produtivas do inconsciente. Essas forças produtivas fragilizadas perdem a potência revolucionária do desejo, as tornam prisioneiras dentro do familialismo.  

    Il faut défendre la société é uma obra de Foucault que traz um curso ministrado pelo autor, no Collège de France. Trata-se, abandonando o modelo jurídico de soberania, de uma análise concreta das relações de poder. O interesse do filósofo é saber a maneira pela qual as relações de sujeição podem fabricar os sujeitos. Ele estuda, para além das leis como manifestação de poder, diferentes técnicas de coerção. Para tanto, entra no tema da guerra como cifra da paz. Mostrando, através do deciframento do discurso histórico-político, que a guerra (em seus diferentes aspectos, invasão, batalha, conquista, vitória, relação dos vencedores e vencidos, pilhagem, apropriações, sublevações) divide o campo social inteira e permanentemente. Um discurso que, em verdade, funciona como arma para uma vitória partidária, um discurso sombriamente crítico e, ao mesmo tempo, profundamente mítico.

    Foucault disse certa vez que o século XXI seria deleuziano. Creio que será uma mistura dos dois. Muito vamos ganhar se isso acontecer.

    Deleuze, Foucault e Ivete Keil

Todos os livros que li, de alguma maneira, afetaram minha subjetividade. É muito difícil separar. Leio muito. Na verdade, estou sempre lendo. Dias a fio fico lendo. Adoro os livros. Ler para mim é um modo de proteger minha solidão. Prezo isso. Portanto, falar de influências específicas é muito difícil. Quando se busca um autor e não o outro, é porque sua escritura faz eco no pensamento de quem quer lê-lo, e o outro não. De qualquer maneira, quando leio (e releio) Deleuze e Foucault leio e releio coisas que parecem que já estavam no meu pensamento e na minha vida. Acontece com outros autores também. Antonio Negri é um deles. 

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