Arquivos da Categoria: Uncategorized

Tonomundo, na África      
  
 

O Oi Futuro vai expandir seus projetos para além das fronteiras do Brasil. Num convênio inédito com a empresa de comunicação Soico TV, de Moçambique, o instituto de responsabilidade social da Oi desembarca na África para transformar a educação em ferramenta de inclusão social e digital num continente sofrido que busca uma nova transformação social. O convênio foi assinado nesta terça-feira, dia 26, no Rio de Janeiro, pelo presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, pelo presidente do Oi Futuro, José Augusto da Gama Figueira, e pelo presidente da Soico TV, Daniel David. Inicialmente, serão instalados projetos-piloto em cinco escolas públicas localizadas na periferia de Maputo, capital moçambicana.

“No mundo, há 300 milhões de pessoas que falam a língua portuguesa e este é um mercado para produtores e distribuidores de conteúdo nas suas diversas formas. Se pudermos trabalhar na cadeia de acessos e distribuição em vários países, para nós, faz isto todo o sentido”, disse Falco.

O presidente da Soico TV qualificou o convênio assinado como “fundamental”. “Moçambique e Brasil, através da Oi e da Soico TV, estão iniciando uma nova plataforma de entendimento”, acrescentou. “Vamos estreitando gradualmente essa parceria com o Brasil usando um convênio privado. Acho que a cooperação entre os países só é forte quando instituições privadas a desenvolvem”.

Presidente do Oi Futuro, José Augusto da Gama Figueira destacou a importância que a nova fase do Tonomundo terá para o instituto de responsabilidade social da companhia brasileira: “Vamos levar para Moçambique o nosso primeiro projeto de educação. Criado há oito anos, o Tonomundo segue sua trajetória de sucesso, com a internacionalização”.

A idéia do projeto surgiu a partir de lei sancionada pelo Governo Federal em 2003, que introduziu o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio. O Oi Futuro decidiu levar sua comunidade virtual de aprendizagem e prática, o Tonomundo, para uma escola africana de língua portuguesa de forma a enriquecer o intercâmbio cultural e de educação entre os dois povos. 

Metodologia

A metodologia de ensino que será utilizada em Moçambique será a mesma do Tonomundo no Brasil e pretende transformar a escola e seus alunos em pólos irradiadores de projetos sociais com impacto na comunidade. O Tonomundo foi desenvolvido pelo Oi Futuro em parceria com a Escola do Futuro da USP, e irá formar os professores moçambicanos com aulas presenciais, realizadas em duas semanas, e um curso à distância com duração de dois anos.

Através da implantação de laboratórios de informática com acesso à internet na rede pública de ensino fundamental, o projeto dá prioridade às iniciativas que integram a comunidade à escola e promovem a renovação dos valores da cidadania.

Em 2001, o programa ganhou a chancela da Unesco e, desde então, foi multiplicado sob a forma de política pública nas escolas estaduais e municipais do Espírito Santo, Pernambuco, Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, e Pará. O Tonomundo já beneficia mais de 650 mil alunos e 7 mil professores, em 598 escolas do país. Nesse período, o programa recebeu 10 prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Ibero-Americano; o LIF, da Câmara de Comércio França-Brasil, e o prêmio A Rede. 

A aproximação do Brasil com Moçambique não é de hoje. Também colonizado por Portugal, o país tem uma identificação cultural muito forte com o Brasil, não apenas em relação à cultura de massa, mas também pela literatura.  Mia Couto, célebre escritor moçambicano, é um confesso admirador da literatura brasileira e seus textos têm forte influência de Guimarães Rosa e de contemporâneos como Moacir Scliar.

Estiveram presentes na assinatura do convênio do Oi Futuro com a Soico TV, de Moçambique; Silvia Fichmann, coordenadora do Tonomundo na Escola do Futuro da USP; Enoque Massango, diretor-adjunto da Soico TV; George Moraes, diretor de Comunicação Corporativa da Oi, e Samara Werner, diretora dos projetos de Educação do Oi Futuro.

Sobre o Tonomundo

Desde 2000, o Tonomundo atua em localidades com baixo IDH (índice de desenvolvimento humano) em parceria com a Escola do Futuro da USP e conta com a chancela da Unesco para projetos que apresentem uma transformação social. O programa atua com o foco na formação continuada de professores de Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos. Os professores do Tonomundo integram uma das maiores comunidades virtuais de aprendizagem do Brasil, onde são desenvolvidas práticas formativas para professores e atividades lúdicas on line, das quais também participam alunos, familiares e vizinhos da escola.

Tentando seguir a popular filosofia de coisaa para fazer no ano novo, pretendo colocar sempre na lista, ler mais livros qo ano que se passou.

Uma sugestão de leitura para se animar é 10 Dicas para Você Ler mais Livros por Ano (Empirical Empire),

Idoru. William Gibson. Makron Books, 2000.

obra:romance, gênero: ficção científica, 1ºedição 1996,

Sinopse inglês William Gibson é autor do termo ciberespaço e de um romance de ficção científica que marcou a década de 80: Neuromancer. Como este, Idori, publicado em 1996, trata de personagens bizarros em paisagens tecnológicas remotas e exóticas.
 

Idoru, escrito por William Gibson, é um excelente romance de ficção científica, que leva os leitores ao minúsculo espaço da nanotecnologia - minúsculo, porém responsável por grandes revoluções. É um livro de verdade que fala de coisas “que não existem”. Ou seja, de coisas que acontecem no ciberespaço, termo criado pelo próprio Gibson em 1984 e publicado em Neuromancer, livro de grande sucesso. Ciberespaço é um termo utilizado pelos usuários da internet como sinônimo de rede, lugar onde acontecem coisas incríveis em um mundo (ou em mundos) novo e imprevisível. continua…

DOWNLOAD (créditos para nossos amigos do excelente Projeto Democratização da Leitura)

+ sobre o autor

William Gibson é um autor de ficção científica americano que vive em Vancouver, Canadá. Desde os anos 70 que escreve contos e o seu primeiro romance Neuromancer, livro em que o conceito de Ciberespaço nasceu, foi publicado em 1984. Esta obra ganhou um estatuto de culto, ao criar um novo gênero de ficção científica, apelidado de Ciberpunk, paradigma de que Gibson é considerado o pai. A literatura ciberpunk tem uma visão muito pessimista do futuro, predizendo o aparecimento de corporações capitalistas multinacionais, e mostrando os efeitos negativos que as novas tecnologias poderão ter na vida quotidiana.
Embora se considere que o ciberpunk, enquanto gênero literário, está morto, as idéias que Gibson apresentou nos seus romances alastraram a outros contextos, tanto artísticos, como sociológicos ou técnicos. Os seus detratores criticam a sua posição de, enquanto utilizador da Internet, declarar que “não sou um técnico. Não sei como é que estas coisas trabalham. Mas gosto do que fazem e dos novos processos humanos que geram”. Como escritor de ficção científica, diz que as pessoas não deveriam olhar para este gênero como prospectiva, mas antes como o modo como os escritores lhes apresentam algumas idéias sobre o futuro, que poderão vir a resultar ou não.

William Gibson escreveu, para além do já citado Neuromancer (1984), Count Zero (1986), Mona Lisa Overdrive (1988), The Difference Engine (1991), Agrippa (a Book ok The Dead) (1992), Virtual Light (1993), Idoru (1996) e uma coletânea de contos chamada Burning Chrome (1986).  

fontes:

http://www.comciencia.br/resenhas/internet/idoru.htm

http://stulzer.net/blog/2006/11/15/10-dicas-de-leitura-de-livros-de-ficcao-cientifica/

http://www.portaldetonando.com.br/forumnovo/viewtopic.php?t=2287&view=next&sid=6c0fe82b6251066093712667111dcd64

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/al250720014.htm 

CYBERPUNK, Robson Pereira

“Júlio Verne, o cyberpunk do século 19″, copyright O Estado de S. Paulo, 19/7/01 -Em 1889, o pai da ficção científica já adivinhava, em seus livros, os usos e as aplicações da Internet

Carnitina, colina e fosfatidilcolina como nutrientes reguladores do metabolismo de lipídios e determinantes do desempenho esportivo

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 12 - N° 108 - Mayo de 2007 - *Docente da Faculdade Santa Rita (FASAR) - Prof. de EF. Mestre em Ciências da Nutrição. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa MG.
**Prof. De Educação Física - Mestre em Ciências da Nutrição. Doutorando em Educação Física. Universidade Católica de Brasília, Viçosa MG. (Brasil)

Resumo
A carnitina, colina e fosfatidilcolina são compostos intermediários essenciais para o metabolismo de lipídios. A deficiência destes pode afetar o catabolismo de lipídios, entretanto não está claro se a suplementação resultaria em maior catabolismo de lipídios, o que por sua vez poderia resultar em perda de massa adiposa. Este trabalho teve por objetivo, através de uma revisão sistematizada, discutir os resultados de estudos que apontem as relações da carnitina, colina e fosfatidilcolina no metabolismo de lipídios e desempenho desportivo. A ação da carnitina como potencializador do catabolismo de lipídios permanece controversa, entretanto sua ação antioxidante é comprovada. A colina é um composto essencial a saúde corporal, entretanto a recomendação diária pode ser conseguida em diversos alimentos. A fosfatidilcolina desempenha um importante papel na absorção intestinal de lipídios, sendo encontrada em diversas fontes alimentares.
Unitermos: Carnitina. Colina. Fosfatidilcolina. Lipídios. Antioxidantes.

 

1 / 1

Introdução

A carnitina tem o papel de transportar ácidos graxos de cadeia longa para o interior da mitocôndria a fim de produzir energia. Sua suplementação tem sido associada a melhora no desempenho desportivo em indivíduos saudáveis por vários mecanismos, dentre estes: a elevação na oxidação de ácidos graxos, alteração da homeostasia da glicose, melhora na produção de acilcarnitina e retardo no aparecimento da fadiga muscular1.

A Colina é um componente dietético necessário para a função normal de todas as células. Ela ou seus metabólitos, incluindo fosfolipídios, betaina e acetilcolina, asseguram a integridade estrutural e funções sinalizadoras das membranas celulares2. A colina é um precursor para a biossíntese de fosfatidilcolina (FC), um fosfolipídio predominante (>50%) na maioria das membranas dos mamíferos3. A FC apresenta um importante papel na absorção intestinal de lipídios. Por se tratar de nutrientes reguladores da digestão, absorção e metabolização dos lipídios, carnitina, colina e fosfatidilcolina necessitam de atenção especial, uma vez que um desajuste nas suas concentrações plasmáticas pode levar ao desenvolvimento de doenças, deficiência no crescimento e da memória.

Este trabalho teve por objetivo, através de uma revisão sistematizada, discutir os resultados de estudos que apontem as relações da carnitina, colina e fosfatidilcolina no metabolismo de lipídios e desempenho desportivo.


Revisão de literatura

Características e funções dos lipídios e lipoproteínas

Os lipídios biológicos constituem um grupo quimicamente diverso de compostos, cuja característica comum é a insolubilidade em água. As funções biológicas dos lipídios são igualmente diversas. Em muitos organismos, as gorduras e os azeites são as principais formas de armazenamento de energia, enquanto os fosfolipídios e os ésteres constituem a metade da massa das membranas biológicas. Outros lipídios, mesmo em pequenas quantidades, desempenham papéis cruciais como co-fatores enzimáticos, transportadores iônicos, agentes emulsificantes, hormonais e mensageiros intracelulares.

Os lipídios são constituídos por 95% de triglicerídios sendo o restante traços de monoglicerídios e diglicerídios, ácidos graxos livres, fosfolipídios e esteróis. Aproximadamente 99% do total de lipídios armazenados no corpo são na forma de triglicerídios, que são compostos por três ácidos graxos e uma molécula de glicerol4.

Os lipídios, de natureza lipofílica, são transportados no sangue em lipoproteínas, que consistem da camada externa que contém proteína (chamadas de apolipoproteína ou simplesmente apo) e lipídios polares (fosfolípides e colesterol não-esterificado) que envolvem o centro hidrofóbico (triglicerídios, ésteres de colesterol e vitaminas lipossolúveis).

As apolipoproteínas exercem várias funções fisiológicas, além de solubilizar os lipídios circulantes, agem como co-fatores de enzimas ou ligantes de receptores na superfície celular5.

Após a digestão e absorção, os lipídios da dieta são transportados na linfa como partículas de quilomícrons (QM). Os QM possuem apoB48 e apoE como principais apolipoproteínas. Eles penetram inicialmente pelo ducto torácico para depois alcançar a circulação sistêmica4.

Nos capilares do tecido adiposo e muscular, dentro de poucas horas após a alimentação, os QM sofrem a hidrólise de seus triacilglicerois pela ação da enzima lipase lipoprotéica, utilizando como co-fator a apoCII. Após esta ação da lipase, formam-se os quilomicrons remanescentes (QMr). Estes são rapidamente retirados da circulação pelo fígado através da interação entre a apoE e seus receptores nas membranas dos hepatócitos4,5.

A lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) é uma partícula rica em triglicérides derivada do fígado e, além de outras apolipoproteínas, apresenta apoB100 e apoE em sua constituição. Similar aos quilomícrons, a VLDL perde seus triglicérides por ação da lipase lipoprotéica auxiliada pela apoCII, originando um remanescentes mais denso chamado lipoproteína de densidade intermediária (IDL)4.

A IDL contém quantidades iguais de colesterol e triglicérides, e as principais apolipoproteínas presentes são apoB100 e apoE. Esta partícula tem dois destinos: ou é captada pelo fígado pela interação das apolipoproteínas com seus receptores nos hepatócitos ou sofre catabolismo adicional (perda de lipídios e apolipoproteínas) e se transforma em LDL5.

A LDL é a principal transportadora de colesterol na circulação. Transporta colesterol para os tecidos extra-hepáticos, cujas membranas apresentam os receptores B/E que reconhecem a apoB100, única proteína presente na partícula de LDL3.

A HDL é uma lipoproteína que apresenta apoAI e apoE como principais apolipoproteínas, são envolvidas no transporte reverso de colesterol, o único processo pelo qual o colesterol livre dos tecidos periféricos é transportado para o fígado para metabolismo ou excreção. Neste processo, o colesterol é esterificado por ação da LCAT (lecitina colesterol acil-transferase) tendo a apoAI como co-fator a lecitina e a fosfatidilcolina como doador de grupo acil para a reação5.

O potencial protetor de HDL na aterosclerose vem do fato desta lipoproteína ser capaz de retirar o excesso de colesterol livre não só de membranas celulares como do próprio subendotélio (na placa aterosclerótica)4,5.

Quando as células necessitam de energia, a lípase hormônio-sensível degrada os triglicerídios estocados em glicerol e ácidos graxos, liberando-os na corrente sanguínea. Os ácidos graxos são transportados por uma proteína (albumina) a fim de serem utilizados pelas células através da -oxidação, gerando energia, dióxido de carbono e água. O glicerol liberado pela ação da lípase é fosforilado e incorporado a glicólise.


Ativação e transporte de ácidos graxos para o interior das mitocôndrias

As enzimas responsáveis pela oxidação de ácidos graxos nas células se localizam na matriz mitocondrial4. Os ácidos graxos livres não podem passar diretamente através das membranas mitocondriais sem sofrer uma série de reações enzimáticas. Sendo assim, o grupo carboxílico da carnitina (composto derivado da lisina) se une transitoriamente ao grupo acil-graxo sintetizado na reação entre ácido graxo, CoA, ATP, formando o composto acil-carnitina, sendo então transportado através da membrana mitocondrial interna por um transportador específico5. Na matriz mitocondrial a acil-carnitina sofre a ação da carnitina aciltransferase, regenerando acil-CoA e a carnitina que são liberados no interior da matriz. A carnitina retorna ao espaço entre a membrana interna e externa4,5.


L-Carnitina

Em humanos, a carnitina é derivada de fontes dietéticas e pela biossíntese endógena. Carne e derivados lácteos são as maiores fontes dietéticas deste componente. A Lisina é o precursor para a biossíntese da carnitina, finalizando o processo de síntese no fígado e rins. A Carnitina e acilcarnitina são filtradas e reabsorvidas no túbulo renal com transporte máximo para reabsorção A perda acontece pela excreção urinária1.

A Carnitina é um componente vital no metabolismo dos lipídios pela produção de ATP por meio da -oxidação e subseqüente fosforilação oxidativa6. Existe um decréscimo da concentração de carnitina no sangue e nos tecidos em condições de hiperlipidemia7.

Altos níveis de peróxidos lipídicos prejudicam os vasos sanguíneos causando aumento na aderência e na agregação de plaquetas no local afetado. Este é o início do processo aterogênico. Em condições de aterosclerose, elevados níveis de lipídios são responsáveis pela peroxidação lipídica e injúria tecidual. Peróxidos lipídicos aceleram a incorporação de LDL no interior das células musculares lisas das artérias promovendo a formação de células espumosas, que é característica da placa inicial8.

Os peróxidos lipídicos são considerados potenciais precursores da aterosclerose. Entretanto, um tratamento com 300mg/Kg/peso corporal/dia de carinitina por 7 e 14 dias reduziu significativamente a peroxidação lipídica nos tecidos e melhora na capacidade antioxidante8. Por esse caminho, a carnitina mantém o funcionamento normal das células.

Em ratos idosos, o nível de peroxidação lipídica foi consideravelmente elevado, enquanto os antioxidantes superóxido dismutase, catalase, glutationa peroxidase, vitamina C, vitamina E, glutationa redutase e o total de tiols foi baixo. A suplementação de L-carnitina (300mg/Kg/peso corporal/dia) por 7, 14 e 21 dias em ratos idosos demonstrou elevar o estado de carnitina reduzindo assim a peroxidação lipídica e melhorou a capacidade antioxidante9.

A enzima glutationa peroxidase reduz radicais livres advindos da peroxidação lipídica. Observou-se elevação da glutationa pela suplementação de carnitina em ratos, o que conseqüentemente aumentam as concentrações de glutationa peroxidase9.

A redução da síntese protéica com a idade, devido ao decréscimo na produção de ATP, reduz a atividade dessas enzimas. A suplementação de carnitina pode elevar a produção de ATP, e consequentemente, melhorar a síntese protéica global (e suas enzimas) nas células. Além disso, L-carnitina, sendo um antioxidante, pode proteger estas enzimas de danos peroxidativos9.

L-carnitina tem demonstrado poupar a atividade do tiol e metionina, sugerindo que esta otimize a capacidade antioxidante9.

Na presença da aterosclerose observa-se depleção da carnitina miocardial, resultando no decréscimo e transporte de ácidos graxos para o interior da mitocôndria. Observa-se também a redução de enzimas antioxidantes e vitaminas8.

A vitamina C (ácido ascórbico) foi reportada como co-fator para a biossíntese de carnitina10. A suplementação de carnitina pode poupar vitamina C, conseqüentemente elevando os níveis desta vitamina9. Como vitamina C tem a capacidade de regenerar vitamina E, o concomitante aumento na concentração de vitamina E em ratos velhos pela administração de carnitina possivelmente se deva ao decréscimo no estresse oxidativo ou aumento dos níveis de vitamina C9.

A deficiência de vitamina C aumenta a excreção de carnitina, entretanto esta redução não foi significativa no período de nove semanas10. A deficiência da vitamina C demonstrou elevar triglicerídios no plasma acompanhando de decréscimo tecidual de carnitina em porcos da Índia, atribuindo-se a alteração no metabolismo de lipídios ao transporte limitado de ácidos graxos de cadeia longa para o interior da mitocôndria10.

As concentrações de vitamina C e vitamina E reduzem significante em animais velhos9. Vitamina C tem função antioxidante limpando radicais livres (O2- e OH+) e convertendo o radical -tocoferoxil em -tocoferol11. Possivelmente, o aumento nas concentrações de vitamina C com suplementação de carnitina pode ser atribuído ao aumento da glutationa regenerada pela carnitina9, pois a glutationa reduz o ácido diidroascórbico em ácido ascórbico10.


L-Carnitina e exercício

A carnitina transporta ácidos graxos de cadeia longa para o interior da mitocôndria, produzindo energia através da -oxidação12. Teoricamente, o maior catabolismo de lipídios pouparia o glicogênio muscular, assim atletas envolvidos em atividades de longa duração poderiam adotar a carnitina como um recurso ergogênico13.

A Suplementação de carnitina por 28 dias demonstrou aumentar em 14% o tempo de exercício até a exaustão em ratos sedentários e em 30,3% em ratos treinados, considerando que o programa de exercícios moderados somente foi responsável pelo aumento de 18% nesta variável. Observou também que as fibras musculares oxidativas tipo 1 presentes no sóleo elevaram a oxidação de ácidos graxos e diminuíram a oxidação de glicose depois da suplementação de carnitina14.

A suplementação de carnitina demonstrou elevar a oxidação no músculo esquelético por um mecanismo que inclui elevação do conteúdo total de carnitina dentro da mitocôndria do músculo sóleo e do conteúdo de acil-carnitina. Este aumento da concentração de acil-carnitina foi acompanhado por um aumento de CoA livre, possibilitando assim um maior fluxo no ciclo de Krebs pela ação da piruvato desidrogenase e 2-oxaglutarato desidrogenase entre outros passos no metabolismo celular, sendo que os melhores resultados na suplementação de 3 semanas com carnitina foram melhores em ratos treinados14,15.

Carnitina e acilcarnitina têm sido propostos como agentes terapêuticos no aprimoramento da capacidade desportiva por melhorar a oxidação de ácidos graxos, reduzindo a formação intramitocondrial de acetil coenzima A (CoA), o qual pode ser deletério para a função celular15 e mantendo alta a atividade da desidrogenase pirúvica14.

Estudos com suplementação de carnitina em atletas engajados em programas de treinamento por períodos de 1 a 6 meses (Tabela 1), demonstram prevenir o decréscimo da carnitina muscular induzida pelo treinamento e também aumento da atividade muscular de enzimas digestivas, incluindo a desidrogenase pirúvica e enzimas da cadeia transportadora de elétrons.

Estudos têm demonstrado o uso clínico da carnitina em situações de hipóxia muscular16,17, afecções cardiovasculares17 e pacientes em hemodiálise18. Nestes estudos, potencializou-se significativamente o desempenho do exercício, junto com a melhora do desempenho cardíaco, capacidade de trabalho total e retardando o aparecimento da dor resultante do esforço e reduzindo níveis sanguíneos de lipídeos. A Tabela 1 apresenta um resumo sobre estudos que avaliaram a influencia da cafeína no desempenho desportivo.

Em resumo, a suplementação de carnitina por período superior a 28 dias com doses de 1 a 6g/dia demonstrou melhorar a capacidade de utilizar os lipídios como fonte de energia durante exercícios aeróbicos (>60% do VO2máx) em indivíduos treinados. A carnitina representa uma adição recente aos compostos com capacidades ergogênicas documentadas19.


Colina e suas funções metabólicas

O neonato tem uma grande demanda de colina devido a seu rápido crescimento e desenvolvimento cerebral20 e depende fortemente da ingestão de colina para satisfazer as suas necessidades21. Ingestão adequada de colina na dieta entre o 16º e o 30º dia pós-parto pode aumentar a função cerebral ao longo da vida22. Grande parte da colina necessária para o recém-nascido é derivada de apenas do leite, o qual contém uma alta concentração de colina23. O leite humano contém os compostos: colina, fosfocolina, glicerofosfocolina, lisofosfatidilcolina e fosfatidilcolina23. A habilidade da colina em alterar o desenvolvimento cerebral pode ser atribuído ao seu papel como um precursor de esfingomielina, membrana dos fosfolipídios e acetilcolina3

A colina é um precursor para a biossíntese de fosfolipídios fosfatidilcolina, lisofosfatidilcolina e esfingomielina, todos essenciais constituintes das membranas3. Em particular, fosfatidilcolina é o fosfolipídio predominante (>50%) na maioria das membranas dos mamíferos3.

A colina é necessária na síntese de acetilcolina, um importante transmissor que influencia na função do cérebro, coração, músculo, glândula adrenal, trato gastrintestinal e muitos outros órgãos24. Na maioria dos mamíferos, a deficiência da ingestão nutricional de colina depleta seus estoques corporais, o que resulta em infiltração de gordura no fígado20,24. Isto ocorre porque a colina é necessária para a formação de fosfatidilcolina, que é essencial para a secreção da lipoproteína de muito baixa densidade VLDL, partícula necessária ao transporte de triacilglicerol do fígado20. Outras possíveis complicações como retardo no crescimento, disfunções renais, hemorragias e anormalidades ósseas são também evidenciadas pela deficiência de colina20.

A colina é a principal fonte de grupos-metil na dieta21. Um de seus metabólitos, a betaina, participa da metilação da homocisteína para formar metionina20. A colina tem efeito direto na sinalização nervosa com outras células e no transporte e metabolismo de lipídios20.

&nIngestão excessiva em curto prazo de colina pode causar desconforto gastrintestinal, transpiração e salivação excessiva e anorexia24. Em longo prazo acarreta riscos a saúde tais como injúria do sistema nervoso e cardiovascular24.

Em 1998, a Academia Nacional de Ciência (EUA), emitiu um relatório identificando a colina como um nutriente necessário para humanos, recomendando sua ingestão diaria em quantidades recomendadas24.

A Gravidez e lactação são períodos onde a reserva maternal de colina encontra-se depletada3. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de colina para o desenvolvimento normal do cérebro é crítica24. Estudos indicam que a colina tem um papel no desenvolvimento da memória, portanto ingestão de colina durante a gravidez pode ser importante no desenvolvimento do cérebro25,26.

A ingestão de dois ovos por dia contêm aproximadamente a necessidade diária de colina, até que mais alimentos sejam avaliados em relação a seu conteúdo de colina, mulheres grávidas podem incluir ovos em sua dieta. Um ovo possui aproximadamente 300 mg de colina, principalmente na forma de fosfatidilcolina20. A Tabela 2 apresenta a Ingestão Adequada

Recomendada proposta pelo Institute of American, citado por Zeisel24.


Efeito da suplementação de colina na performance esportiva

A sua suplementação demonstrou aumentar a síntese de acetilcolina e sua liberação na junção neuro-muscular20. Observou-se um declínio na concentração plasmática de colina em atletas após corridas e maratona27.

Portanto, a suplementação de colina pode manter o equilíbrio de acetilcolina e prevenir queda no desempenho. No entanto, não existem estudos definitivos acerca dos efeitos da suplementação de colina em pessoas normais.


Relação colina e carnitina

Relações entre colina e carnitina têm sido estudadas por muitos anos, mas o foco principal tem sido no prejuízo do estado de carnitina em deficiência de colina28. Estudos apresentam resultados conflitantes a respeito da suplementação de colina, resultando na conservação de carnitina em humanos29. A suplementação de colina promove o aumento de carnitina nos tecidos, particularmente na musculatura esquelética em porcos30 e fígado de ratos31. A suplementação de colina da dieta diminui o percentual de gordura e elevou o percentual de proteína sem aumento significante da massa corporal ou da relação de troca respiratória em porcos29. A combinação de colina, carnitina e cafeína com ou sem exercício reduz a massa corporal por meio da redução da gordura e do total de lipídios como também da leptina sérica em ratos32.


Fosfatidilcolina

A fosfatidilcolina (Lecitina) é o fosfolipídeo mais conhecido. Contém ácido fosfórico e base colina contendo nitrogênio. Atua no transporte e utilização de ácidos graxos e colesterol (em lipoproteínas) através da enzima lecitina-colesterol aciltransferase4. É também essencial para a secreção de lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) pelo fígado3.

A fosfatidilcolina desempenha um importante papel na absorção intestinal de lipídios, pois aumenta a solubilidade micelar formando quilomícrons33. Em ratos recebendo FC da gema do ovo reduziram a absorção intestinal de colesterol se comparados aos que receberam FC de soja33.

As principais fontes de lecitina são encontradas no fígado, gema do ovo, feijão de soja, amendoim, espinafre e trigo4. A fosfatidilcolina não é um nutriente essencial porque o organismo produz quantidade que é necessária4. A lecitina da dieta é digerida antes de ser absorvida, portanto, os suplementos são de pequeno valor4. Devido suas propriedades emulsificantes, a lecitina é adicionada aos produtos alimentares, como a margarina, bolachas e confeitos4.


Peculiaridades da Fosfatidilcolina

  • Segundo maior componente lipídico do organismo;

  • em sua composição, um dos ácidos graxos é substituído por uma substância contendo fósforo;

  • grande afinidade a substâncias hidro e lipossolúveis;

  • são materiais estruturais efetivos;

  • são encontradas em grande concentração combinadas a proteínas nas membranas celulares, facilitando a passagem de gorduras (lipídeos) como parte de lipoproteínas.

A fosfatidilcolina (FC) tem demonstrado elevar a absorção intestinal de lipídios e reduzir a absorção de -tocoferol, sugerindo que FC afeta a absorção intestinal de -tocoferol e lipídios por mecanismos diferentes34.

A Fosfatidilcolina é um emulsificante essencial para o processo de solubilização, particularmente da bile35. O Colesterol biliar, que é a principal fonte do colesterol absorvido, não pode ser eficientemente solubilizado na bile sem a presença da FC35. Contrariamente a idéia predominante, que absorção de lipídios é diretamente dependente na dispersão e solubilização, há indicativos que FC pode suprimir a absorção de colesterol, apesar de promover a solubilização do colesterol35.


Considerações finais

Este estudo apresentou aspectos relevantes destes nutrientes, assim temos dados mais precisos a respeito das suas interações no organismo em diversas situações.

Apesar de contestada, dos compostos revisados, somente a carnitina apresentou efeito benéfico no desempenho desportivo, principalmente por sua ação antioxidante e aumento no catabolismo de lipídios.

Mais estudos devem ser elaborados a fim de estabelecer a relação entre suplementação destes nutrientes com as possíveis melhoras nos rendimentos esportivos, biodisponibilidade corporal e nos desajustes metabólicos ocasionados pelo processo de envelhecimento, dislipidemias e na função antioxidante.


Referências

  1. BRASS, E. P. Supplemental carnitina and exercise. Am. J. Clin. Nutr. 2000; 72: 618S-23S

  2. DONAVAN, S. M., MAR, M-H., Zeisel, S.H. Choline and choline ester concentrations in porcine milk throughout lactation. J. Nutr. Biochem. 1997;8:603-607

  3. CHENG, W-L., HOLMES-McNARY, M.Q., MAR, M-H., LIEN, E.L.., ZEISEL, S.H. Bioavailabilit of choline and choline esters from milk in rat pups. J. Nutr. Biochem. 1996;7:457-464

  4. MAHAN, L.K., ESCOTT-STUMP. S. Alimentos, nutrição & dietoterapia. Editora Roca Ltda. 1998.9a edição. 1179p.

  5. VIEIRA, E. C., FIGUEIREDO, E. A., ALVAREZ-LEITE, J. I. GOMEZ, M.V. Química fisiológica. Belo Horizonte: Editora Atheneu. 1995. 2a edição. 414p.

  6. CARTER, A.L., ABNEY, P.O., LAPP, F.D. Biosyntesis and metabolism of carnitine. J. Child. Neurol. 1995;10:253-257

  7. SECOMBE, D.W., JAMES, L., PETER, H., JONES, E. L-carnitine treatment in hyperlipidemic rabbit. Metabolism 1987;36:1192-1196

  8. DAYANANDAN, A., KUMAR, P., PANNEERSELVAM, C. Protective role of l-carnitine on liver and Herat lipid peroxidation in atherosclerotic rats. J. Nutr. Biochem. 2001;12:254-257

  9. KALAISELVI, T., PANNEERSELVAM, C. Effect of l-carnitine on the status of lipid peroxidation and antioxidants in aging rats. J. Nutr. Biochem. 1998;9:575-581

  10. JACOB, R.A., PIANALTO, F.S. Urinary carnitina excretion increases during experimental vitamin C depletion of healthy men. J. Nutr. Biochem. 1997;8:265-269

  11. SOM, S., BASU, S., MUKHERJEE, D. Ascorbic acid metabolism in diabetes mellitus. Metabolism. 1981;30:573-577

  12. FELLER, A.G., RUDMAN, D. Role of carnitina in human nutrition. J. Nutr. 1988;118:541-547

  13. CLARKSON, P.M. Nutritional ergogenic aids. Int. J. Sports Nutr. 1992;2:185

  14. BACURAL, R.F.P., NAVARRO, F., BASSIT, R.A., MENEGUELLO, M.A., SANTOS. V.T. ALMEIDA, A.L.R., ROSA, L.F.B.P.C. Does exercise training interfere with the effects of l-carnitine supplementation? Nutrition 2003;19:337-341

  15. RAMSAY, R.P., ARDUINI, A. The carnitina acyltransferases and their role in modulating acyl-CoA polls. Arch. Biochem. Biophys. 1993;302:307-314

  16. DAL NEGRO, R., POMARI, G., ZOCCATELLI, O., TURCO, P. L-carnitine and rehabilitative physiokinesitherapy: metabolic and ventilatory response in chronic respiratory insufficiency. Int. J. Clin. Pharmacol. Ther. Toxicol 1986;24:453

  17. DAL NEGRO, TURCO, P., POMARI, C., DE CONTI, F. Effects of l-carnitine on physical performance in chronic respiratory insufficiency. Int. J. Clin. Pharmacol. Ther. Toxicol 1988;26:269

  18. AHMAD, S., ROBERTSON, H.T., GOLPER, T.A., WOLFSON, M., KURTIN, P., KATZ, L.A., HIRSCHBERG, R., NICORA, R., ASHBROOK, D.W., KOPPLE, J.D. Multicenter trial of l-carnitine in maintenance hemodialysis patients. II. Clinical and Biochemical effects. Kidney Int. 1990;38:912

  19. WOLINSKY, I., HICKSON Jr, J.F. Nutrição no exercício e no esporte. São Paulo: Editora Roca. 2002. 2ª edição.

  20. ZEISEL, S.H., BLUSZTAJN, J.K. Choline and human nutrition. Annu. Rev. Nutr. 1994;14:269-296

  21. ZEISEL, S.H. Dietary choline: Biochemistry, physiology, and pharmacology. Annu. Rev. Nutr. 1981;1:95-121

  22. MECK, W.H., SMITH, R.A., WILLIAMS, C.L. Pre and postnatal choline supplementation produces long-term facilitation of spatial memory. Dev. Psychobiol. 1988;21:339-353

  23. ZEISEL, S.H. Choline: an important nutrient in brain development liver function and carcinogenesis. J. Am. Coll. Nutr. 1992;11:473-481

  24. ZEISEL, S.H. Choline: Needed for normal development of memory. J. Am. Coll. Nutr. 2000;19:528S-531S

  25. PYAPALI, G., TURNER D., WILLIAMS, C., MECK, W., SWARTZWELDER H.S. Prenatal choline supplementation decreases the threshold for induction of long-term potentiation in young adult rats. J. Neurophysiol 1998;79:1790-1796

  26. WILLIAMS, C., MECK, W., HEYER, D., LOY, R. Hypertrophy of basal forebrain neurons and enhanced visuospatial memory in perinatally choline-supplemented rats. Brain. Res. 1998;794: 225-238

  27. CONLAY, L. A., SABOUNJIAN, L. A., WURTMAN, R. J. Exercise and neuromodulators: choline and acetylcholine in marathon runners. Int. J. Sports Med. 1992;13:S141-S142

  28. SHEARD, N.F., KRASIN, B. Restricting food intake does not exacerbate the effects of a choline-deficient diet on tissue carnitina concentrations in rats. J. Nutr. 1994;124:738-743

  29. DAILY, J. W., HONGU, N., MYNATT, R. L., SACHAN, D. S. Choline supplementation increases tissue concentrations of carnitine and lowers body fat in guinea pigs. J. Nutr. Biochem. 1998;9: 464-470.

  30. DAILY, J. W., SACHAN, D. S. Choline supplementation alters carnitina homeostasis in humans and guinea pigs. J. Nutr. 1995;125: 1938-1944.

  31. REIN, D., KRASIN, B., SHEARD, N. F. Dietary choline supplementation in rats increases carnitine concentration in liver, but decreases plasma and kidney carnitine concentrations. J. Nutr. Biochem. 1997;8: 68-73.

  32. HOUGU, N., SACHAN, D.S. Caffeine, Carnitine and choline supplementation of rats decreases body fat and serum leptin concentration as does exercise. J. Nutr. 2000;130:152-157

  33. JIANG, Y., NOH,S. K., KOO, S. I. Egg Phosphatidylcholine Decreases the Lymphatic Absorption of Cholesterol in Rats. J. Nutr. 2001;131: 2358-2363

  34. NOH, S.K., KOO, S.I. Enteral infusion of phosphatidylcholine increases the lymphatic absorption of fat, but lowers alfa.gif-tocopherol absortion in rats fed a low zinc diet. J. Nutr. Biochem. 2001;12:330-337

  35. HOMAN, R., HAMELEHLE, K. L. Phospholipase A2 relieves phosphatidylcholine inhibition of micellar cholesterol absorption and transport by human intestinal cell line Caco-2. J. Lipid Res. 1998; 39: 1197-1209.

A heresia da Internet

No período medieval, os hereges eram pessoas residentes em países católicos que, dentre outras coisas, não aceitavam a autoridade do papa.

Texto publicado pelo caderno Mais!, do jornal Folha de S.Paulo, revela que estrutura da Internet encontra semelhança na forma como os hereges se organizavam no período medieval. _________________________________________________________________________

Artigo assinado por Michael Brooks da “New Scientist” e publicado pelo caderno Mais! do jornal Folha de S.Paulo (7 de setembro de 2003) comenta que: “no século 13, os inquisidores católicos pararam o avanço da heresia explorando princípios que são incrivelmente parecidos com os que a ciência usa hoje para descrever redes tão diversas quanto estruturas sociais, o contágio de uma doença e a internet“.

Redes sem escala - O elo de união entre esses dois períodos tão distantes é a chamada teoria das redes sem escala (scale-free networks), cujas propriedades foram desvendadas por Albert- László Barabási, professor de física na Universidade de Notre Dame, Indiana-EUA.

Conforme menciona o texto, Barabási utilizou um software que automaticamente visitava sites e analisava a quantidade de links disponíveis, descobrindo que “muitos sites estão conectados a apenas alguns poucos, enquanto um número muito pequeno de sites têm um número enorme de links“, passando a denominar esse tipo rede de “sem escala”.

Conversa de pub - Certa vez, em uma conversa num pub, Paul Ormerod (economista e pesquisador das redes de relacionamento) e Andrew Roach (historiador e especialista em Idade Média da Universidade de Glasgow) perceberam como os estudos de Albert-László Barabási poderiam ser utilizados não apenas para uma melhor compreensão da Internet, mas ajudavam a entender outras redes de relacionamento, dentre elas a forma como os hereges se organizavam durante o período Medieval.

O texto de Michael Brooks mostra porque as primeiras investidas da Igreja Católica contra os hereges falhou e como ela passou a empreender uma nova estratégia com base em métodos científicos: “naquela altura, as autoridades católicas já sabiam que, enquanto o tipo certo de pessoa ainda se encontrasse ativo, a heresia poderia se restabelecer a qualquer momento. Roach diz acreditar que não é acidente que a Inquisição tenha adotado os mesmos métodos que agora são aplicados para lidar com as redes sem escala: os inquisidores envolvidos eram conhecidos como pessoas que pensavam cientificamente, afirma”.

Conforme o artigo, Andrew Roach afirma que os inquisidores “eram principalmente frades dominicanos, uma das ordens mais cultas. Acredito que algum tipo de processo científico estava sendo empregado.

Veja artigo completo: Vaticano combateu e venceu a proliferação de heresias nos séculos 13 e 14 com métodos redescobertos agora pela teoria das redes sem escala, como a Internet [Folha de S.Paulo, Caderno Mais! - 7 de setembro de 2003].

 

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp0909200397.htm

Alianças para uma psicologia em ação: sobre a noção de rede - http://www.necso.ufrj.br/Ato2003/MarciaMoraes.htm

http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/colinks.pdf

http://won.incubadora.fapesp.br/portal/materiais/riqueza-unicamp.pdf

http://www.cin.ufpe.br/~efls/Redes%20Sem%20Escala.ppt
http://paginas.ulusofona.pt/p138/ArtigoEspaco.pdf

http://www.arquivistasbahia.org/teoria%20das%20redes%20e%20redes%20sociais%20na%20internet.doc

http://correio.fc.ul.pt/~mcg/aulas/redes/3%20-%20Slides%20-%20sem%20escala.pdf

http://216.239.51.104/search?q=cache:XMbOpgm2hCAJ:www.genismo.com/memeticatexto5.htm+%22redes+sem+escala%22&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=13

http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/redes_sociais.pdf

http://pontomidia.com.br/raquel/intercom2004final.pdf

http://bocc.unisinos.br/pag/recuero-raquel-redes-sociais-na-internet.pdf

 O difícil e nobre exercício do papel pedagógico pelo gerente 


Assumindo geralmente a função gerencial em decorrência de uma promoção técnica, os gerentes sentem dificuldade de exercer o indispensável papel de formadores dos gerenciados\u003cbr\>

Uma das maiores dificuldades enfrentadas por aqueles que assumem responsabilidade gerencial é exercitar o papel pedagógico. \n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003c/p\>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003cp\>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003cstrong\>\u003cem\>\u003cfont size\u003d\”3\” color\u003d\”#800000\”\>"Pedagogia: ciência da educação e do ensino; profissão ou prática de ensinar."\u003c/font\>\u003c/em\>\u003c/strong\> \n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003c/p\>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003cp\>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u003cstrong\>\u003cfont color\u003d\”#808080\”\>Dicionário Aurélio Século XXI”,1] ); //–>Assumindo geralmente a função gerencial em decorrência de uma promoção técnica, os gerentes sentem dificuldade de exercer o indispensável papel de formadores dos gerenciados
 
 Uma das maiores dificuldades enfrentadas por aqueles que assumem responsabilidade gerencial é exercitar o papel pedagógico.

“Pedagogia: ciência da educação e do ensino; profissão ou prática de ensinar.” Dicionário Aurélio Século XXI Na grande maioria das vezes, a primeira investidura gerencial se dá em decorrência de uma promoção da carreira técnica. Ou seja, é o bom desempenho técnico que habilita à promoção gerencial. Resultado: aquilo que contribuiu decisivamente para o sucesso que levou à promoção gerencial (a competência técnica) não serve mais para garantir o sucesso na nova função (a competência em gestão). Usando uma linguagem esportiva, o que garantiu o bom desempenho do jogador não vai garantir o bom desempenho do treinador, do qual se requer, no lugar de um desempenho técnico superior, a prestação de um serviço.“Não é permitido que os treinadores entrem no campo de jogo. Esse é o lugar reservado para os jogadores. Conseqüentemente, os treinadores não têm outras opções senão recrutar, ensinar… e servir. Liderança é sinônimo de serviço.”

Tom Peters, HSM Management, maio/junho 2002

E o principal serviço requerido do gerente é, sem sombra de dúvidas, o da formação que requer a constante prática pedagógica, desde o próprio recrutamento como defende o autor do livro “Excelência no Marketing de Guerrilha” (Editora Saraiva, São Paulo, 1994). Ele chega a considerar a aptidão como algo secundário em relação à atitude, o que reforça sobremaneira a responsabilidade gerencial pela formação.

“Contrate todos os seus empregados com base na atitude, não na aptidão. É mais fácil ensinar coisas do que mudar personalidades.”

Jay Conrad Levinson

O exercício do importantíssimo papel pedagógico do gerente se dá, portanto, desde o recrutamento e é contínuo, o que requer não só persistência como muita paciência já que, como todos sabemos desde os bancos escolares, o aprendizado (qualquer aprendizado), não é coisa simples nem, muito menos, rápida. Dizem os especialistas que a melhor forma de manter o interesse de quem está em processo contínuo de aprendizado é contar uma história que prenda a atenção.

“A habilidade central do executivo é saber contar uma história interessante, mobilizadora, que provoque engajamento e leve à ação.”

Clemente Nóbrega, revista Exame, 21.10.98

Tudo isso com a certeza de que o supra-sumo da atividade pedagógica não é propriamente transmitir conhecimento ou dizer como se faz determinada coisa mas fazer com que a própria pessoa descubra.

“Não se pode ensinar tudo a alguém. Pode-se, apenas, ajudá-lo a encontrar por si mesmo.”

Galileu Galilei, 1564-1642, físico italiano

E, como uma espécie de prêmio pelo desempenho desta tão nobre quanto necessária e difícil responsabilidade, poder descobrir como o personagem Riobaldo do livro “Grande Sertão: Veredas”, que o exercício pelo gerente do papel pedagógico permite também conhecer coisas novas, ou seja, de acordo com a terminologia própria, adquirir mais conhecimento.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”

João Guimarães Rosa, 1908-1967, escritor mineiro

Nome: Windows XP PRO Black EditionFabricante: Microsoft

Área: Sistema Operacional

Ano de Lancamento: 2007

Sistema: Windows

Configuração Mínima

# PC com processador de 300 MHz ou superior recomendado [233 MHz é o mínimo necessário, (sistema com um ou dois processadores)]

* recomendam-se processadores da família Intel Pentium/Celeron, família AMD K6/Athlon/Duron ou compatíveis

Descrição

Programas Instalados: (vem junto com o Windows) todos funcionando….

Office 2007 Enterprise, Acrobat 8.0, Photoshop CS2, Open Office 2.10, Norton partition Magic 8.05, Registry Mechanic 6.2, Windows Vista RTM idebar plus extra gadgets

Windows Modificado, com diversos programas inclusos e mais de 130 temas.

São 04 Arquivos num total de + ou - uns 4G e meio

1º opção para download:  parte 1 - parte 2 - parte 3 - parte 4

2º opção para download: parte 1 - parte 2 - parte 3 - parte 4

 

*** Conheça os dez utilitários que fizeram sucesso entre os usuários. Escolha o que mais lhe agrada e faça download.

1) Ad-Aware Personal 1.06 - ferramenta gratuita que fornece uma competente ferramente anti-adware.

2) CWSheredder - utilitário especializado na remoção da praga CoolWebSearch e suas variações.

3) DVD Shrink 3.2 - faça backups de seus DVDs no disco rígido.

4) Microsoft Windows Defender - proteção contra programas maliciosos.

5) Motherboard Monitor 5.3.7.0 - monitore a temperatura de sua placa-mãe e CPU.

6) RegClean - elimine entradas desnecessárias do registro do Windows.

7) Spybot Search and Destroy 1.4 - elimine a maioria dos spywares do seu computador.

8) Tweak UI - liberte-se da tirania das ferramentas de Microsot (criada por desenvolvedores da… Microsoft).

9 Windows Movie Maker 2.1 - crie, edite e compartilhe seus vídeos.

10 ZoneAlarm Free - um dos melhores softwares de proteção contra ataques de worm.

Resenha: BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

      Peter Burke é professor de História da Cultura na Universidade de Cambridge e escreve mensalmente para a seção “Autores” do suplemento “Mais!”, do jornal Folha de São Paulo. Dentre suas publicações em âmbito nacional destacam-se: História social da linguagem (Ed. UNESP), A arte da conversação (Ed. UNESP), Cultura popular na Idade Moderna (Companhia das Letras), Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet (Jorge Zahar), entre outras. “Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot”, originalmente publicado no ano de 2000 e traduzido para a língua portuguesa em 2003, resultou de uma série de conferências promovidas pela Universidade de Croningen, na Holanda. A obra surgiu como reflexo da percepção de uma lacuna na literatura no que diz respeito a estudos voltados à sociologia do conhecimento no início do período moderno, uma vez que grande parte dos estudos sobre a temática concentrou-se numa abordagem referente ao período entre os séculos XIX e XX.

   Burke versa sobre a trajetória da construção do conhecimento na sociedade englobando importantes revoluções intelectuais, a exemplo do Renascimento, da Revolução Científica e do Iluminismo da Europa moderna, e, em certos momentos, traça um paralelo dessas revoluções ocidentais com os países do Oriente. O ponto histórico-referencial da obra compreende o período entre 1450 e 1750, anos que marcam, respectivamente, o surgimento da imprensa tipográfica e a publicação da primeira enciclopédia na França. A delimitação desse período é justificada por Burke com o fato de a imprensa ter impulsionado a confluência dos diferentes tipos de conhecimento e agido como elemento de transformação social, provocando significativas mudanças na forma de produzir, expressar, expandir, apresentar, perceber, disseminar, fazer circular e recuperar informações; e ainda, pelo fato de nortear e suscitar questionamentos, críticas, comparações e o ceticismo da sociedade com relação às produções intelectuais da época. Conseqüentemente, a enciclopédia vislumbra-se como um marco na história do conhecimento, pois enquanto uma das precursoras das inúmeras obras de referência hoje existentes que emergiram como solução para um problema ainda atual, mas que já remontava àquele período o da “recuperação da informação”, revolucionou a pesquisa, acentuou o “comércio do conhecimento” e o “consumo de cultura”.

   Uma história social do conhecimento introduz-se fazendo referência ao senso comum, altamente presente nos discursos atuais, que utilizam clichês como: “sociedade da
Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n.18, 2º sem. 2004 1 39
informação”, “sociedade do conhecimento”, “era da informação”, e instigam o leitor a refletir mais criticamente sobre fatos e elementos, quando de sua apresentação e utilização. Segundo o autor, nem mercantilizar a informação nem utilizá-la como forma de reprimir, dominar e expressar poder são características de cunho político, social e econômico recentes, e sim, tendências vindas de longo prazo, pois já estavam presentes, pelo menos de forma latente, desde o início dos tempos. Com base nessa premissa, Burke, nas linhas que compõem os nove capítulos de “Uma história social do conhecimento”, se vale de exemplos e comentários respaldados em autores de renome para reforçar e balizar o percurso desenvolvido pelo conhecimento nos diferentes momentos sociais e a reorganização do saber, dando ênfase ao conhecimento da elite européia do início da era moderna, com base em textos produzidos nos séculos XVI, XVII e XVIII e sob influência de Michel Foucault, Karl Mannheim, Max Weber e outros.

   Burke apresenta o conhecimento como advindo, em seu início, de uma cultura predominantemente oral; ou seja, a oralidade era o principal veículo de transmissão do conhecimento. O autor transpõe os conhecimentos práticos, operários e populares (presentes nas classes burocratas, artesãos, curandeiros, camponeses etc.) de uma posição coadjuvante para um patamar de agente precursor e impulsionador para o que anos mais tarde concretizou-se através da legitimação das universidades e instituições acadêmicas: a formação dos letrados europeus. Esses intelectuais, muitos ainda ligados ao clero, com base em articulações de grupos corporativos conquistaram espaços e postos significativos na sociedade e tornaram “o saber” um ofício. Entretanto, nesse período as universidades restringiam-se a transmitir conhecimento, e não o produziam, característica que foi sofrendo paulatinas alterações ao longo das revoluções e agregando termos como pesquisa, investigação, experimentos, que no Iluminismo sugerem uma consciência de necessidade de inovação e busca de conhecimento de forma sistemática, útil e cooperativa. Paralelamente, reforça-se a atuação de organizações menos formais no intercâmbio de informações técnico-científicas. As bibliotecas, com a invenção da imprensa, além de expandirem seus acervos, atuavam como sedes de conhecimento, pois naquela época, assim como os cafés e as livrarias, elas se tornaram centros de estudos, lugares de debates entre intelectuais e espaços de sociabilidade de idéias e troca de informações, rompendo seu vínculo único e exclusivo com o silêncio e a leitura.

   Ainda tratando das sedes de conhecimento, Burke enfatiza a importância de cidades como Veneza, Amsterdã, Sevilha, Paris, Roma e Londres no papel de agências de informação e capitais de conhecimento na Europa. Tais cidades privilegiaram-se nesse período pela quantidade de bibliotecas que possuíam, pela língua de publicação das obras naquele período e, em alguns casos, por aproveitarem-se das atividades portuárias como forma de intercâmbio e “importação” de conhecimento. Em decorrência da crescente demanda social por informações, há uma proliferação dos serviços de informação nas primeiras cidades modernas. Surgem assim os primeiros catálogos, guias e livros de endereços. Passa-se de um conhecimento centralizado à necessidade de seu compartilhamento e distribuição e de descobertas globais, o que fortalece significativamente as traduções e as reproduções de documentos e livros.

   Outro ponto destacado por Burke diz respeito à classificação do conhecimento. O autor categoriza diversas variedades de conhecimento, apresentando a “Árvore de Porfírio”, a Tabula primi libri, o diagrama oval de Cristofle de Savigny baseado no sistema de trivium e quadrivium e ainda, a categorização baconiana como possíveis formas de visualização do sistema de conhecimento daquele período. Posteriormente, são discutidos três elementos, adjetivados por Burke como “tripé intelectual” ou subsistemas do sistema do conhecimento: currículos das universidades, bibliotecas e enciclopédias. Esses elementos são priorizados pelo fato de repercutirem diretamente na reorganização do sistema de conhecimento e de reprodução cultural. As mudanças nos currículos universitários possibilitaram a ramificação das ciências e das áreas do conhecimento, ramificação que, por conseqüência, forçou uma nova estruturação das bibliotecas e a busca de novas formas de classificação e organização. As enciclopédias também inovam, seguindo as modificações das bibliotecas e dos currículos universitários, e passam a adotar a alfabetação como forma de classificação principal. Na seqüência, são explorados as influências e o controle do Estado e da Igreja sobre o conhecimento. Essas relações são tratadas desde a concentração, por parte da máquina administrativa, de informações sobre a população, como forma de controle interno e dominação, e a preocupação do Estado com a obtenção de informações relativas às expedições e às descobertas ultramarinas na competição por novas rotas e terras, até a Igreja como detentora de informações e registros destinados à Inquisição.

   Num salto histórico da censura, controle e acesso restrito às informações para a comercialização do conhecimento através da proliferação da produção e venda de livros, atlas, periódicos, jornais e enciclopédias, podem ser percebidas na obra de Burke diversas conseqüências inerentes a essa abertura de informações, como, por exemplo, a busca pela proteção intelectual através das chamadas cartas de proteção, a especialização das fontes de informação e a invenção das obras de referência como solução para se recuperar a informação. A difusão do material impresso, calcada na mercantilização da informação e na explosão informacional marcada pelo período pós-imprensa, como explicitado por Burke, expôs as informações publicadas a um maior raio de divulgação e acesso, o que resultou na percepção de discrepâncias entre relatos dos mesmos fenômenos e na chamada “crise do conhecimento”. Houve o que poderíamos chamar de uma vulgarização do conhecimento e, por isso, o ceticismo, o questionamento e a crítica à autoridade intelectual tornaram-se predominantes. Como resultado, as mais diversas áreas do saber voltaram-se para a cientificidade, o método e o empirismo como forma de validação e checagem da verossimilhança do conhecimento.

   Ao analisarmos a obra de Peter Burke, percebemos que “Uma história social do conhecimento”, como bem fundamenta o autor ao mencionar os ciclos de inovação, da “rotinização” de Weber e da “ciência normal” de Thomas Kuhn, resgata, através de elementos passados, uma história que, além da perspectiva de continuidade, se reinventa e pode ser perfeitamente pensada nos dias atuais. Assim como a mercantilização e a vulgarização da informação se fizeram presentes após a imprensa, atualmente também enfrentamos, embora de forma distinta e baseada em uma nova estrutura político-econômico-social, uma “crise do conhecimento”, advinda da explosão informacional agravada pelo surgimento da Internet. Conforme elucida Morin (1999, p. 21) “ao mesmo tempo que ergue uma vertiginosa Torre de Babel dos conhecimentos, o nosso século realiza um mergulho ainda mais vertiginoso na crise dos fundamentos do conhecimento”. O livro está estruturado de maneira que confere ao leitor certa recursividade e não-linearidade de leitura, expressa por freqüentes remissivas; e, ainda que não intencionalmente - principalmente por tratar-se de uma obra de cunho histórico - nos faz lembrar e possibilita fazer analogia aos links e ao caráter hipertextual presentes na contemporaneidade WWW.

   A apreciação e exposição de diversas obras de autores renomados como Norbet Elias, Francis Bacon, Jurgen Habermas, Pierre Bourdieu e vários outros, e suas conseqüentes amarrações históricas e criativas abordagens, aliadas à riqueza das notas, outorgam e imprimem prestígio e credibilidade à obra. “Uma história social do conhecimento” pode ser considerada uma obra de referência sobre a sociologia do conhecimento, a qual não se volta apenas aos comunicólogos, historiadores, museólogos, arquivistas sociólogos, bibliotecários e demais profissionais da informação, mas se direciona para todos aqueles que desejam compreender a construção sociológica, imergir no interessante, revelador, plural e multidisciplinar mundo do “saber” e entender os fenômenos atuais no que diz respeito à informação e à comunicação na tão aclamada sociedade do conhecimento.

REFERÊNCIA
MORIN, E. O método 3: o conhecimento do conhecimento. Porto Alegre: Sulina, 1999.

Como o tema de tcc anda rendendo muitas visitas e a minha hora vai chegar, como diz o título desse post, resolvi pesquisar e trazer uma ajuda! aproveitem e gostaria de melhorar minha rede de contatos!, deixem recados, blogs… vamos refenciar, citar e blogar!

APRESENTAÇÃO E DEFESA DA MONOGRAFIA

 

  • A defesa é o coroamento de um longo processo. Muito mais do que uma avaliação pela banca examinadora, adefesa é a oportunidade de tornar público, discutir e ouvir a opinião de especialistas, sobre um tema que acompanha o aluno há diversos meses ou anos.
  • Para quem conhece bem seu tema e preparou cuidadosamente sua tese, trata-se de um momento de grande prazer.
  • O tempo deve ser utilizado não para resumir a monografia, cujo texto já é conhecido pela banca. Um roteiro sugestão para a apresentação seria:
  • Cumprimentar rapidamente os componentes da banca; Justificar a escolha do tema, sua atualidade e relevância para a área do conhecimento, para o curso, para a sociedade; Destacar as dificuldades e limites do trabalho:
    • bibliografia escassa ou excessiva;
    • polêmicas doutrinárias;
    • implicações políticas;
    • imprecisão terminológica nas fontes;
    • inacessibilidade das fontes etc.
  • Destacar os aspectos positivos do trabalho:
    • Amplitude da pesquisa; utilidade dos resultados;originalidade do enfoque; nova roupagem ou tema clássico; pioneirismo da pesquisa na Instituição; indicar possíveis desdobramentos da pesquisa; formular uma autocrítica relativamente à execução da pesquisa.
  • Recursos como power point entre outros podem ser de grande valia, mas o aluno deve prescindir deles caso não tenha experiência no seu manuseio. Sempre podem haver surpresas. Melhor elaborar um pequeno roteiro dos pontos a mencionar. Já houveram mitos casos de acabar a energia e cade? meu ppt?, portanto não esqueça o roteiro impresso!

 

* cronograma, modelo, roteiro… entre outros materias, são todos fornecidos pela sua instituição, procure a secretaria, coordenador, orientador e não se esqueça que a biblioteca é o melhor lugar para isso.

*** esse é um modelinho com medidas e algumas orientações de formatação e estilo, algo mais como editoração. tcc-exemplo-e-medidas.pdf

A UNB dá diretrizes para “Relização da defesa de monografia” -> http://www.unb.br/fd/graduacao/Diret_orien.htm

web2.0 permite desenvolver pensamento crítico

Para além da brilhante campanha de marketing que mereceu (diria mesmo que se trata de uma campanha de Relações Públicas no seu melhor, uma vez que são os outros que estão a falar, pelo mundo inteiro, sobre um livro editado por uma editora que até hoje desconhecia), e dado que no site da Amazon não posso ter uma preview do livro, vou ter que me ficar pelos comentários de alguém que já o leu e que até disponibiliza um local para que erros existentes no livro possam ser corrigidos [faltou-lhe o peer review ;-) ]. Deixo-vos com Lawrence Lessig:

“His work will help us all understand the limits in accuracy, taste, judgment, and understanding shot through all of our systems of knowledge. The lesson he teaches is one we should all learn — to read and think critically, whether reading the product of the “monkeys” (as Keen likens contributors to the Internet to be) or books published by presses such as Doubleday.”

Exercitar e desenvolver o espírito crítico é um dos benefícios da cultura web2.0, que apesar de muito falada, ainda está na sua infância em termos de práticas. Estamos todos a aprender, cada um de nós com o seu próprio ritmo de aprendizagem.

fonte:http:/b2ob.blogspot.com./